Nasci numa família tradicional de Granja, uma cidade histórica do Ceará, visitada por conde d'Eu e princesa Isabel, onde a filarmônica era o orgulho do povo granjense, uma terra de grandes homens, poetas e políticos que se sobressaíram no âmbito nacional, terra de Lívio Barreto, dr. Oliveirinha, Pe. Osvaldo Chaves, Guilherme Gouveira e tantos outros. Cresci escutando histórias de poderio e imponência dos grandes fazendeiros, dos donos de carnaubais, dos comerciantes refinados, e entre eles, estavam meus avós paternos. Vovô Quincas Riacho ( Joaquim Silvestre de Oliveira), era proprietário de enormes propriedade rurais, criador de gado renomado e ao mesmo tempo um homem simples, de olhar terno, de fala mansa, andar elegante e carinhoso no trato com as pessoas, independente da condição social. Era admirado por colonos, caboclos trabalhadores como também pelos amigos poderosos. Até hoje, gosto de lembrar do jeito carinhoso com que o vovô nos tratava. Vovó Adília, sua esposa, era de fato, uma lady. De familia nobre, oriunda dos açores portugueses, era elegante no vestir, no falar, requintadamente ornada de jóias, era mais distante, uma mulher de poucos afagos, mas que tentava nos ensinar através de exemplos, que a postura, em todos os aspectos, é determinante na vida. Viveu momentos extremos na sua vida longa, desde a glória das grandes festas em sua casa da Malhada Grande, regadas a talheres de ouro ao infortúnio das mortes trágicas de quatro dos seus onze filhos, um deles, meu pai.
Meus avós maternos eram o oposto dos paternos. José Francisco de Oliveira, a quem chamávamos vovô Dedé Dadinha, era um simples e adorável agricultor. De sorriso farto, contador de causos nato, tinha como maior riqueza seus belos filhos, embora poucos tenham herdado seus lindos olhos azuis. Ficou viúvo um ano após o nascimento de minha irmã mais velha, portanto não conhecemos nossa avó Isabel Áurea de Oliveira, ou vovó Bela como aprendemos a tratá-la. Lembro das inúmeras vezes que vi mamãe sofrer por não conseguir lembrar seu rosto, por não ter uma fotografia que a ajudasse a relembrá-la, e eu prometia a mim mesma nunca esquecer o rosto da minha mãe. Olho sua foto todos os dias pra reforçar minha promessa. Não senti falta da avó materna que não conheci, porque vovô Dedé casou novamente e tia Francisca, sua esposa, me tratava como uma neta, me fazendo todas as vontades. Talvez ela não tenha sido uma boadrasta, mas a mim, tratou sempre com muito carinho.
Por pura coincidência, meus pais eram os filhos primogênitos de cada família, portanto fomos os primeiros netos, e corremos todos os riscos das vantagens e desvantages que se seguiram. Se por um lado tivemos muitos privilégios, por outro, sofremos discriminações. Se em uma época tivemos uma vida abastada, sem nenhuma preocupação financeira, em outras vivemos em total desfortúnio, com popreza extrema. Isto nos tornou literalmente, adultos preparados para a vida e infinitamente unidos nos mesmos ideais. E asim me tornei a quarta neta destas duas famílias, recebendo o nome homônimo de minha avó materna, Maria Adília Linhares de Oliveira.
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